Tesouro dos Egípcios; Falsidade da Salvação Vicária; a Jerusalém Celestial; Derramamento de Sangue

“De acordo com o verdadeiro Evangelho, conforme declarado pelos profetas, a substância da humanidade não é material e criada, mas sim espiritual e divina. E o homem se eleva além de sua natureza inferior até sua natureza superior ao subordinar os primeiros aos últimos, elevando-se assim totalmente ao superior, tornando-se com isso divino – pois entre Espírito e Matéria não há linha fronteiriça. Esse conhecimento era o tesouro sem preço do qual Israel, ao fugir ou libertar-se, “despojou os egípcios”. [Êxodo 12:36] Esse era o grande segredo de todos os sagrados mistérios desde o princípio.

Ao contrário desse, trata-se de um falso evangelho, aquele que tendo origem nos sacerdotes, e desafiando ao mesmo tempo o intelecto e a intuição, atribui a salvação a uma operação vicária, e, ao invés do sacrifício de nossa própria natureza inferior para a nossa natureza superior, e de nós mesmos para os demais, insiste no sacrifício de nossa natureza superior para a inferior, e dos outros para nós mesmos.

É dessa inversão da ordem divina que o hábito de comer carne e a vivissecção – aquela mais infernal de todas as práticas que sugiram do abismo sem fundo da natureza inferior do homem – são os diretos e inevitáveis resultados. E até que a ordem divina seja restaurada, tanto em ato quanto em pensamento, pela renúncia da doutrina do sacrifício vicário, conforme comumente sustentado, e pela consequente reabilitação do caráter de Deus, todos os nossos esforços de melhoramento devem ser em vão; nossa civilização será tão somente uma falsificação, um simulacro desse termo (…).

Em conclusão: aquilo que buscamos não é uma reforma de instituições meramente, ou a promoção de benefícios materiais meramente, mas sim uma radical renovação da própria Substância dos homens em todos os planos de suas naturezas, com vistas à realização daquilo que há tanto tempo foi prometido: “novos céus e nova terra onde habitará a Retidão (a Justiça)” [2 Pedro 3:13], e o advento daquele perfeito estado, a Nova Jerusalém, ou Cidade que tem Deus como sua luz, a luz que desce do céu da região celestial do próprio homem, aquele reino dos céus que está dentro dele mesmo, mas o qual jamais pode ser realizado por aqueles que persistem em ordenar suas vidas de modo a tornarem necessários o derramamento de sangue e a injustiça.

“Ele te mostrou, ó homem, o que é bom; e o que o Senhor exige de ti: nada mais do que agir com justiça, gostar do amor, e caminhar humildemente com o teu Deus!” [Miquéias 6:8] “Eles não ferirão e nem destruirão em toda a minha montanha sagrada, disse o Senhor.” [Isaías 65:25]

Se nos for perguntado, qual a fonte, e qual a autoridade para essa interpretação, responderemos que há apenas uma fonte e autoridade para a verdade, e essa é a Alma do próprio homem, e que para obter acesso a esse lugar, e conhecer a doutrina, é necessário fazer a Vontade do Pai, e viver a vida pura que é requerida.

Pois a Alma vê divinamente, e nunca esquece aquilo que uma vez aprendeu. E tudo o que ela conhece está a serviço daquele que para com ela tem os devidos cuidados e a cultiva. Dela advém, diretamente e sem mescla de adulteração humana, aquilo que recém foi dito. E não há nenhuma outra fonte ou método de revelação divina.

É verdade, como se supõe geralmente, que a revelação divina é pronunciada por uma voz vinda do céu. Mas o céu é o mais íntimo santuário do templo do próprio homem, e a voz é a de Deus lá falando. Somente onde o terreno, o qual é o corpo, é puro e é nutrido com pureza, de modo que nenhuma exalação nociva surja para obscurecer a atmosfera, é que homem e sua Alma podem entabular conversação direta.

Vivendo da maneira que o mundo vive hoje, ele não pode conhecer as potencialidades da humanidade. Daí segue que ele diviniza uma espécie mais adiantada, à custa do resto da raça, quando na verdade todos são divinos, se apenas os deixarem assim ser. E a revelação é, tanto quanto a razão, o atributo natural do homem.” (Edward Maitland. Addresses and Essays on Vegetarianism, capítulo O Vegetarianismo e a Bíblia, pp. 223-224)

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