Esse site “A Filosofia Perene (ou Esotérica)”, como já dissemos na Apresentação, tem vários outros sites associados, tais como: Anna Kingsford; Ideias para um Mundo Melhor; A Roda e a Cruz; O Evangelho da Interpretação; O Cristianismo Budista; A Fraternidade Universal da Humanidade; A Democracia do Futuro; Humanitarismo. Também estreitamente relacionados a esse site há a Editora e a Fazenda que têm em suas denominações “Roda e Cruz” (Budismo e Cristianismo), bem como alguns blogs e várias páginas no Facebook (Sites e Páginas Associados). Todos eles, incluindo os livros e demais atividades associadas, são “odes vivas” à Filosofia Perene (ou Esotérica), e sua grande Lei da Fraternidade Universal da Humanidade.

Enquanto os demais sites associados, embora derivados da Filosofia Perene, tratam de aspectos específicos, o presente site tem como objetivo apresentar a própria Filosofia Perene (ou Esotérica). Isso implica numa dificuldade adicional, quando comparado aos demais sites mencionados, porque enquanto nesses outros sites, canais e atividades as mensagens que procuramos difundir são ainda pouco conhecidas e (por isso mesmo) por vezes parecem novas, já no que diz respeito à própria Filosofia Perene a situação é significativamente diferente. Isso porque, nesse caso, temos que levar em conta a existência de diferentes correntes e escolas de pensamento, as quais procuram apresentar ao mundo aquilo que entendem ser a Filosofia Perene, e da maneira que entendem ser a melhor forma de difundi-la.

Sendo assim, para que não sejamos confundidos com uma ou outra dessas correntes e escolas de pensamento – as quais possuem pontos de vista por vezes bem diferentes daqueles que são aqui apresentados e, em alguns casos, até mesmo com atitudes e conceitos conflitantes entre si – no presente site temos a dificuldade adicional de esclarecer algo das diferenças entre essas correntes de pensamento e a mensagem e os princípios da Filosofia Perene conforme aqui apresentados.

Nesse site (como na grande maioria dos sites, blogs, páginas e demais atividades associadas) a Filosofia Perene e sua grande Lei da Fraternidade Universal da Humanidade procuram ser transmitidas ao mundo, sobretudo, por meio da divulgação dos ensinamentos (ainda pouco conhecidos) do “Novo” Evangelho da Interpretação, bem como pela divulgação de assuntos e autores em harmonia com essa mensagem. Essa é a denominação da mensagem filosófico-religiosa legada ao mundo pela Dra. Anna Kingsford e por Edward Maitland, a qual contém o significado esotérico do Cristianismo.

Dentro do imenso trabalho interpretativo das Escrituras cristãs, que é o principal aspecto desse “Novo” Evangelho, encontramos a clara exposição da necessária complementaridade e unidade existente entre o Budismo e o Cristianismo – O Cristianismo Budista (ou Esotérico). Tanto o Budismo como o Cristianismo, mesmo em suas formas hoje conhecidas, têm a Lei da Fraternidade Universal no coração da doutrina e da vida. Por sua vez, os princípios éticos (o certo e o errado, os direitos e os deveres etc.) assim como as instituições sociais derivadas do Princípio ou Lei da Fraternidade Universal são as bases da filosofia social denominada de Humanitarismo, e seu novo modelo de organização social denominado de Democracia do Futuro (ou Participativa).

Como vemos, todos os demais sites e atividades mencionados estão relacionados entre si e são logicamente derivados da Filosofia Perene.

A noção da existência de uma Filosofia Perene (ou Esotérica) pode ser apresentada, muito resumidamente, a partir da conhecida frase de Pierre Teilhard de Chardin: “Tudo o que se eleva converge”. Ou seja, se é possível para a consciência humana se “elevar”, penetrar interna e profundamente rumo à essência das coisas e alcançar, ou pelo menos se aproximar dessa essência (Realidade, Verdade etc.), então é uma decorrência lógica, necessária, que a consciência humana que assim procede e se “eleva” também se aproxima, ou converge em relação a todas as demais que assim procedem, porque todas elas encontram, ou pelo menos se aproximam dessa mesma essência (Realidade, Verdade etc).

A propósito, cabe mencionar aqui que é por essa mesma razão que a “Filosofia Perene” é aqui apresentada como sinônimo de Filosofia Esotérica”, uma vez que “eso” quer dizer o interno, ao contrário de “exo” que significa o externo, como na frase “significado esotérico do Cristitanismo”, em distinção ao “significado exotérico do Cristianismo”. Ou seja, o primeiro alude ao significado interno, profundo, verdadeiro do Cristianismo, enquanto o segundo ao significado superficial, à sua roupagem de símbolos e alegorias, e mesmo suas formas desviantes de idolatrias (que é exagerar a importância da forma em detrimento do conteúdo, da letra em detrimento de seu significado verdadeiro, profundo, vivificante). Então, a Filosofia Perene é fruto desse movimento de “elevação”, de penetrar fundo no âmago, no interior, na essência real ou verdadeira de todas as coisas.

Assim, é desse movimento vivo de “elevação”, aproximação ou convergência rumo à mesma essência – se isso é realmente possível à consciência humana – que pode e deve advir um conhecimento de princípios ou leis universais que são lógica e necessariamente os mesmos, ou pelo menos muito parecidos. Justamente são esses os princípios ou leis que (ao serem transmitidos) devem compor um mapa ideacional necessariamente igual (ou muito semelhante), ou seja, uma Filosofia Perene (ou Esotérica).

Esse panorama geral, esse mapa ideacional, pode e deve se expressar através de símbolos diferentes ao longo dos diferentes momentos e pontos do tempo e do espaço, ou seja, nas diferentes épocas, regiões, povos, línguas e culturas em geral. Desse modo, se o movimento vivo de “elevação” da consciência que originou um determinado panorama de símbolos (de uma dada cultura) foi verdadeira e legitimamente bem sucedido, então quando esses símbolos forem corretamente interpretados eles necessariamente revelarão significados iguais ou muito semelhantes, ou seja, significados que se aproximam ou convergem entre si, constituindo uma verdadeira Filosofia Perene.

Para a corrente de pensamento que é dominante em nossa época, ou seja, para a ciência moderna (ou cientificismo, em seu viés de dogmatismo materialista), essa noção da existência de uma Filosofia Perene pode e deve ser tratada como uma hipótese a qual, caso verdadeira, deve merecer uma comprovação experimental.

Isso pode ser realizado por meio do método comparativo, sobretudo aplicando esse método aos significados dos símbolos das diferentes religiões e filosofias, das diferentes regiões, épocas e culturas. Ou seja, se a hipótese da existência de uma Filosofia Perene (ou Esotérica) for verdadeira, dessa investigação comparativa devem emergir princípios e pontos de vista muito semelhantes.

Por essa razão, em palestra recente na sede da Sociedade Teosófica em Londres (Fev-2018), por ocasião do que talvez tenha sido a primeira Conferência Internacional sobre a Mensagem da Dra. Anna Kingsford e Edward Maitland, o organizador desse site, apresentou palestra de encerramento com o ponto de vista que a partir desse estudo comparativo deve advir o surgimento de uma religião realmente católica e, ao mesmo tempo, em harmonia com o que há de melhor na ciência moderna. E também que essa seria a forma adequada de combater e superar o dogmatismo materialista do “Sacerdotalismo” pseudo científico que hoje domina o mundo. De igual modo, foi apresentada a conclusão que tendo em vista as imensas implicações práticas para o bem estar da humanidade (como o advento de soluções consistentes para seus enormes problemas) essa seria a maior necessidade de nossos tempos.

Nesse sentido, segundo nossas melhores luzes, é em sintonia com o que pensamos ser a tradição dos genuínos místicos, sábios ou filósofos de todos os lugares, tempos e culturas, que a Dra. Kingsford e Maitland nos legaram afirmações como as contidas nas citações que seguem:


1) “A fé cristã é a herdeira direta da velha fé romana. Roma foi a herdeira da Grécia, e a Grécia do Egito, de onde se originaram o legado de Moisés e o ritual hebraico.

O Egito foi apenas o foco de uma luz cuja verdadeira fonte e centro era o Oriente em geral – Ex Oriente Lux. Pois o Oriente, em todos os sentidos, geograficamente, astronomicamente e espiritualmente, é sempre a fonte de luz.

Mas, embora originalmente derivada do Oriente, a Igreja de nossos dias e de nosso país é modelada diretamente a partir da mitologia greco-romana, e de lá retira todos os seus ritos, doutrinas, cerimônias, sacramentos e festivais.

Portanto, a exposição que será feita sobre o cristianismo esotérico tratará mais especificamente dos mistérios do Ocidente, uma vez que suas ideias e sua terminologia são para nós mais atrativas e próximas do que as concepções não artísticas, a metafísica não familiar, o espiritualismo melancólico e a linguagem pouco sugestiva do Oriente.

Extraindo sua essência-vital diretamente da fé pagã do velho mundo Ocidental, o cristianismo mais proximamente se parece com seus pai e mãe imediatos, do que com seus ancestrais remotos, e será, então, melhor exposto com referência a suas fontes da Grécia e de Roma, do que com referência a seus paralelos bramânicos e védicos.

A Igreja cristã é católica, ou então ela não é nada que mereça, em absoluto, o nome de Igreja. Pois católico significa universal, todo-abarcante: – a fé que sempre e em todos os lugares foi recebida. A prevalecente visão limitada desse termo é errada e prejudicial.

A Igreja cristã foi inicialmente chamada de católica porque ela abarcava, compreendia e tornou seu o passado religioso de todo o mundo. Reunindo em sua figura central – do Cristo – e em torno dessa figura todas as características, lendas e símbolos até então pertencentes às figuras centrais das dispensações anteriores, proclamando a unidade de toda aspiração humana, e formulando em um grande sistema ecumênico as doutrinas do Oriente e do Ocidente.

Assim, a Igreja católica é védica, budista, zend-avesta e semítica. Ela é egípcia, hermética, pitagórica e platônica. Ela é escandinava, mexicana e druídica. Ela é grega e romana. Ela é científica, filosófica e espiritual.

Encontramos em seus ensinamentos o panteísmo do Oriente, e o individualismo do Ocidente. Ela fala a língua e pensa os pensamentos de todos os filhos dos homens; e em seu templo todos os deuses estão em um lugar sagrado.

Eu sou vedantina, budista, helenista, hermética e cristã, porque eu sou católica. Pois nessa única palavra todo o Passado, Presente e Futuro estão abarcados.

Como Santo Agostinho e outros dos Padres (Pais) da Igreja verdadeiramente declararam, o cristianismo não contém nada de novo a não ser o seu nome, estando próximo dos antigos desde o seu início. E as várias seitas, que retém apenas uma porção da doutrina católica, são apenas como cópias incompletas de um livro, do qual capítulos inteiros foram retirados, ou como representações de uma peça teatral na qual apenas alguns de seus personagens e de suas cenas foram mantidos.” [Anna Kingsford e Edward Maitland. The Credo of Christendom (O Credo do Cristianismo), pp. 94-96].

2) “Uma vez erguido o véu do simbolismo da face divina da Verdade, todas as Igrejas são similares, e a doutrina básica de todas é idêntica (…). Grega, hermética, budista, vedantina, cristã – todas essas Lojas dos Mistérios são essencialmente unas e são idênticas em doutrina. (…)

Nós sustentamos que nenhum credo eclesiástico isolado é compreensível somente por si mesmo, se não for interpretado com o auxílio de seus antecessores e de seus contemporâneos.

Por exemplo, estudantes de teologia cristã somente aprenderão a entender e a apreciar o verdadeiro valor e significado dos símbolos que lhes são familiares por meio do estudo da filosofia Oriental e do idealismo pagão.

Pois o cristianismo é o herdeiro dessa filosofia e desse idealismo, e o que há de melhor em seu sangue vem das veias dessa filosofia e desse idealismo.

E visto que todos os seus grandes antecessores ocultaram por trás de suas fórmulas e ritos externos – os quais são meras cascas e coberturas para entreter os pobres de entendimento – as verdades internas ou ocultas reservadas ao iniciado, assim também o cristianismo reserva aos buscadores sérios e aos pensadores mais profundos os Mistérios internos verdadeiros, que são unos e eternos em todos os credos e igrejas desde o princípio do mundo.

Esse significado verdadeiro, interior e transcendental é a Presença Real velada nos Elementos do Divino Sacramento: – a substância mística e as verdades simbolizadas sob o pão e o vinho das antigas orgias de Baco, e agora da nossa própria Igreja Católica.

Para aquele não sábio, que não pensa profundamente, que é supersticioso, os elementos físicos são a finalidade do rito; para o iniciado, o vidente, o filho de Hermes, eles são apenas os sinais externos e visíveis daquilo que é sempre, e necessariamente, interno, espiritual e oculto”. [Edward Maitland, citado por Samuel H. Hart, em seu Prefácio à Quinta Edição (pp. 12-13), da obra The Perfect Way (O Caminho Perfeito). Citação extraída da obra The Life of Anna Kingsford (A Vida de Anna Kingsford), Vol. II, pp. 123-124]


Repetindo, é principalmente através da divulgação da mensagem da Dra. Kingsford e Mailtland que procuramos transmitir ao mundo os princípios da Filosofia Perene (ou Esotérica), com ênfase especial para seu grande Princípio ou Lei da Fraternidade Universal, em vista de suas imensas implicações práticas ao bem estar humano.

Dito isso, é importante deixar claro e mesmo dar muita ênfase ao fato que os princípios da Filosofia Perene (ou Esotérica) também podem ser transmitidos ao mundo através de outras tradições religiosas e filosóficas, e mesmo através da ciência moderna e das artes. Esse espírito realmente fraterno – que é ao mesmo tempo realmente católico (universal) e científico – sendo algo muito importante para uma difusão apropriada dos princípios Metafísicos e Éticos, ou seja, de uma forma coerente e harmônica com a própria existência de uma Filosofia Perene  (ou Esotérica), bem como com o que há de melhor na corrente de pensamento dominante em nossa época – a ciência moderna.

Assim, a questão que agora estamos considerando é a de como a Filosofia Perene pode ser levada ao mundo de modo que tenha possibilidade de conquistar maior espaço e aceitação, especialmente por parte das mentes de maior calibre ou mais elevadas, que é exatamente a seção mais influenciada pela ciência moderna – para o bem e para o mal.

Nessa sintética apreciação geral da Filosofia Perene (ou Esotérica) não podemos nos permitir o detalhamento sobre as razões do que entendemos ser as melhores maneiras de levar ao mundo em geral um conhecimento a respeito dessa filosofia, coisa que esperamos fazer em escritos posteriores. Mas podemos agora pelo menos fornecer algo de nossos pontos de vista através de algumas citações sobre essa questão de como a Filosofia Perene pode e/ou deve ser levada ao mundo.


1) “É absolutamente necessário inculcá-la gradualmente (a Filosofia Perene, ou Esotérica), reforçando suas teorias, fatos incontestáveis para os que sabem, com inferências diretas deduzidas e corroboradas pelas evidências fornecidas pela ciência exata moderna.” [Mahachohan, carta com suas visões. Letters from the Masters of the Wisdom (Cartas dos Mestres de Sabedoria), 1st Series, n. 1, p. 9]

2) “Não podemos consentir em inundar o mundo, com o risco de afogá-lo, com uma doutrina que deve ser cautelosamente difundida, e pouco a pouco, como um tônico muito poderoso que tanto pode matar quanto curar.” [K.H., The Mahatma Letters to A.P. Sinnett (Carta dos Mahatmas para A.P. Sinnett), n. 34, p. 245]

3) “O único objetivo pelo qual esforçar-nos é o melhoramento da condição do HOMEM por meio da difusão da verdade adaptada aos vários estágios de seu desenvolvimento e do país em que ele habita e pertence. A VERDADE não tem marca de propriedade e não sofre por causa do nome sob o qual ela é promulgada – desde que o referido objetivo seja alcançado.” [K.H. The Mahatma Letters to A.P. Sinnett (Carta dos Mahatmas para A.P. Sinnett), n. 85, p. 399]

4) “Sob a dominação e a influência dos credos exotéricos, sombras grotescas e distorcidas de realidades (…), sempre haverá a mesma opressão dos fracos e dos pobres e a mesma luta tempestuosa dos ricos e poderosos entre si mesmos. É somente a filosofia esotérica, a harmonização espiritual e psíquica do homem com a natureza, que, através da revelação de verdades fundamentais, pode trazer aquele tão desejado estado intermediário entre os dois extremos do Egoísmo humano e do Altruísmo divino e, finalmente, conduzir ao alívio do sofrimento humano.” [Um Adepto. Letters from the Masters of the Wisdom (Cartas dos Mestres de Sabedoria), 2nd Series, n. 82, p. 157]

5) “Pois é somente através do estudo das várias grandes religiões e filosofias da humanidade e da sua comparação desapaixonada com uma mente sem preconceitos, que os homens podem esperar alcançar a verdade. E é especialmente descobrindo e percebendo seus vários pontos concordantes que podemos alcançar esse resultado.” (Helena Blavatsky, A Chave para a Teosofia, p. 63)

6) “Esse não é apenas o desejo de qualquer um de nós dois, conhecidos pelo Sr. Sinnett, ou de ambos, mas a expressa vontade do próprio Chohan [Mahachohan]. A eleição da Sra. Kingsford [Dra. Anna Kingsford, para a presidência da Soc. Teosófica em Londres] não é um assunto de sentimentos pessoais entre nós mesmos e aquela senhora, mas se apoia inteiramente na questão da conveniência de ter-se na chefia da Sociedade [Teosófica], num lugar como Londres, uma pessoa bem adaptada ao padrão e aspirações do público (ainda) ignorante (acerca das verdades esotéricas) e, portanto, malicioso. (…) é uma questão se a referida senhora está capacitada para o propósito que todos nós temos em nosso coração, a saber, a disseminação da VERDADE por meio das doutrinas esotéricas, transmitidas através de qualquer canal religioso, e a eliminação do materialismo crasso e dos preconceitos e ceticismo cegos.” [K.H., The Mahatma Letters to A.P. Sinnett (Carta dos Mahatmas para A.P. Sinnett), n. 85, p. 398]


O aspecto que desejamos enfatizar nesse momento é a necessidade vital de adaptação aos diferentes níveis de desenvolvimento dos irmãos dentro da família humana, ou seja, dentro da Fraternidade Universal da Humanidade. Bem como, a adaptação às diferentes tradições, culturas e correntes de pensamento em geral. Essas citações acima talvez possam dar uma ideia das razões pelas quais o mundo necessita de uma religião realmente católica e científica, necessita de um estudo sério, não sectário, católico, no qual a Filosofia Perene deva aparecer através da comparação das grandes tradições religiosas e filosóficas, bem como da ciência moderna.

Isso significa que esse estudo deverá trazer contribuições de todas as correntes religiosas, filosóficas e das ciências atuais. A ciência com seu método experimental e sua racionalidade lógica é essencial para interpretar e compreender as religiões decaídas e presas ao sectarismo religioso e ao Sacerdotalismo. “Sacerdotalismo” que, em sentido amplo, em nossos dias pode ser tanto religioso como científico. Desse modo, como já foi citado, é tão somente através da comparação tolerante e desapaixonada, isto é, através do método comparativo que serão abertos os caminhos para combater o “Sacerdotalismo”, tanto religioso quanto científico, sem o que o mundo não encontrará soluções consistentes para seus imensos problemas.

Essa é uma das principais razões que nos apontam para a necessidade do advento de uma interpretação realmente católica e realmente científica das Escrituras das diferentes tradições religiosas, das grandes filosofias e da própria ciência moderna. Isso pode parecer um equívoco. Ou seja, como pode haver uma interpretação realmente científica da própria ciência, e das tradições religiosas e filosóficas? Acontece que os pontos de vista dominantes na ciência moderna não são verdadeiramente científicos, uma vez que estão presos a uma espécie de “camisa de força”, do mesmo modo que a grande maioria das tradições religiosas e filosóficas em nossa época. Essa “camisa de força” é a sua submissão, sob o domínio de um tipo de “dogma”, ou seja, à crença dogmática de que o ser humano está inescapavelmente dependente do pensamento discursivo, de sua faculdade pensamental, para o conhecimento da verdade.

As consequências dessa “camisa de força” são simplesmente catastróficas, como os escritos da Dra. Kingsford e Maitland procuram esclarecer, do mesmo modo que as citações trazidas acima. Então, essa é, de fato, uma das razões que destacam a importância do “Novo” Evangelho da Interpretação e, dentro dele, da união do Budismo e do Cristianismo.

Esse “Novo” Evangelho, em primeiro lugar, está ligado à tradição religiosa dominante no Ocidente, ou seja, a uma das colunas mestras da civilização ocidental, a qual hoje domina amplamente o mundo como um todo. Em segundo lugar, ele serve como um excelente exemplo de como as grandes tradições religiosas e filosóficas podem ser interpretadas de forma católica (universal) e realmente científica, isto é, quando a ciência se libertar da “camisa de força” que hoje a limita e escraviza: do “dogma” de que a única capacidade de conhecimento válida trata-se do pensamento discursivo. Uma “camisa de força” notoriamente dogmática, que hoje limita as correntes de pensamento dominantes no mundo, e está conduzindo o mundo a grandes catástrofes.

Em vista desse domínio, entre outras razões, podemos compreender porque a Filosofia Perene pode e deve ser melhor apresentada como uma grande hipótese, um grande “se”. Isso porque “se” for possível a “elevação”, através de um conhecimento intuitivo-unitivo, então seguem logicamente várias decorrências da maior importância. Conforme procuraremos expor, tudo depende desse “ser ou não ser” (“ser” possível, ou “não ser” possível essa “elevação”, que é produto da capacidade, ou faculdade de conhecimento intuitivo-unitivo). Vamos, assim, examinar, mesmo que resumidamente, essa linha de argumentação.

“Se” o ser humano possui essa herança, essa faculdade de conhecimento por “fusão”, necessariamente supra pensamental, então segue, lógica e necessariamente, que há duas maneiras do ser humano chegar à verdade.

A primeira maneira pode ser apresentada pela frase do Novo Testamento: “conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8:32). Ou seja, se essa possibilidade existe, se há essa faculdade latente, que pode ser atualizada (desenvolvida, amadurecida), então a maneira de acesso à Verdade (intuitiva-unitiva) é o desenvolvimento dessa faculdade de conhecimento, um conhecimento unitivo ou direto, por “fusão” com a Verdade, onde a relação sujeito-objeto (que é sempre mediada pela comparação de imagens e símbolos) é transcendida. Há outras passagens do Novo Testamento que igualmente aludem a essa possibilidade de conhecimento direto (intuitivo-unitivo) da Verdade, como quando o Mestre revela: “eu e o Pai somos um (João 10:30), ou no Sermão da Montanha: “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus!” (Mateus 5:3-16)

Esse caminho direto – dentro do campo da ilusão fundamental implícita no conhecimento meramente pensamental – é o caminho “para os poucos” (como escrito no início da clássica obra do esoterismo A Voz do Silêncio: “Dedicado aos Poucos).

Estamos aludindo àquela pequena parcela da família humana que apresenta não apenas maior alcance pensamental, mas também qualidades éticas que, em tese, podem lhes facultar a atualização dessa faculdade intuitiva-unitiva de conhecimento. Tais qualidades éticas e suas consequências psico-espirituais e cognitivas estão presentes em todas as grandes tradições, como bela e sinteticamente mencionadas no Sermão da Montanha (Mateus 5:5-10):

“Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra;

Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos;

Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia;

Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus;

Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus;

Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus.”

Dentro da catolicidade e cientificidade que procura orientar esse texto é importante mencionar e mesmo enfatizar que essa possibilidade de faculdade de conhecimento, supra pensamental, intuitivo-unitivo é afirmada em todas as grandes tradições religiosas e filosóficas e, assim, pode e deve constituir uma grande hipótese para uma verdadeira ciência, liberta de sua dogmática “camisa de força” de que a única faculdade de conhecimento possível é a do pensamento discursivo.

Como outro exemplo de clara afirmação da presença em nós dessa faculdade de conhecimento intuitivo-unitivo podemos mencionar a clássica obra de uma das seis grandes janelas de interpretação filosófica do Hinduísmo (Yoga) que é a obra Yoga Sutras de Patanjali. Ali, em muitos dos aforismos (sutras) que compõem essa obra – uma verdadeira “bíblia” para a tradição dessa escola de pensamento (Yoga) – como aquele, logo no início (I-2) da obra: “Yoga citta-vrtti-nirodhah” (“Ioga é a cessação das modificações do princípio mental”). Ou seja, a faculdade de conhecimento que faculta a União (Ioga) pode ser desenvolvida ou alcançada com o aquietamento da mente. Aquietamento que no nosso nível de interesse diz respeito, sobretudo, ao pensamento discursivo. A palavra “nirodhah” possui amplo significado: “controle, cessação, supressão, superação, total quietude” etc. Trata-se de clara afirmação de que na quietude, na cessação das atividades do pensamento ergue-se uma outra capacidade ou faculdade de conhecimento que nos capacita a uma união ou “fusão” com a Verdade.

Toda essa obra clássica divide o caminho para a União (Yoga) em oito etapas, membros ou aspectos (angas). Por isso o Ioga de Patanjali é conhecido como Ashtanga Yoga. O Ioga dos oito (ashtan) passos, membros ou aspectos. E esses oito aspectos são divididos em dois grandes grupos chamados de Bahiranga (os angas ou aspectos/etapas externos) e Antaranga (os angas ou aspectos/etapas internos). Os aspectos externos tratam dos vícios e virtudes, do estudo, da devoção, das condições do corpo físico que habilitam o aspirante às etapas internas. E os aspectos (angas) internos (Dhãrana, Dhyãna e Samãdhi, ou seja, Concentração, Meditação e Transcendência, ou Êxtase) dizem respeito ao gradual aquietamento da mente em geral, e do pensamento discursivo em particular (que é a faculdade aqui principalmente considerada).

Como outro exemplo podemos citar o Nobre Óctuplo Caminho do Buda Gautama, ou seja, do Budismo. Essa clássica exposição do Budismo em oito passos, degraus ou aspectos, também pode ser dividida em seus aspectos externos e internos. Esses passos ou aspectos são: 1) Reta Visão de Mundo; 2) Reto Pensamento, ou Intenção; 3) Reta Palavra; 4) Reta Conduta; 5) Reta Ocupação, ou Meio de Ganhar a Vida; 6) Reta Memória, ou Esforço; 7) Reta Atenção, ou Concentração; 8) Reto Samãdhi, ou Transcendência.

Claramente os cinco primeiros aspectos ou etapas nos falam da necessidade de um ordenamento de nossa vida externa. Isso diz respeito à natural e necessária preparação para o sucesso no aquietamento e consequente superação das ilusões da mente em geral, e do pensamento discursivo, que é o particular aspecto aqui enfatizado.

Da mesma forma que na Ashtanga Ioga de Patanjali, o Nobre Óctuplo Caminho culmina no Samãdhi, Transcendência ou Êxtase. Ou seja, temos aqui outra clara afirmação da possibilidade de superação dos processos meramente pensamentais e, portanto, também afirmando a existência de outra e superior faculdade de conhecimento.

A segunda maneira ou caminho para a verdade, que parece ser a única via devida e mesmo possível para “os muitos” pode ser apresentada pela frase: “Ou dizeis que a árvore é boa e o seu fruto, bom, ou dizeis que a árvore é má e o seu fruto, mau; porque pelo fruto se conhece a árvore”. (Mateus 12:33)

Trata-se, assim nos parece, do único caminho para a grande maioria, que está aprisionada no campo do pensamento discursivo, da separatividade, das formas, dos processos acumulativos do tempo, da comparação de imagens e símbolos e das linguagens. Alegoricamente, essa maioria, que somos nós, está aprisionada na percepção das sombras da caverna de Platão ou, do mesmo modo,  nas regiões mais densas do véu de ilusão que cobre o reino da deusa Maya.

É a área em que, no dizer de J. Krishnamurti: todo o conhecimento está dentro do campo da ignorância. Como maioria da família humana, somos em termos de nossas presentes capacidades de conhecimento, alegoricamente, como “crianças” e, assim, necessitamos de contos, mitologias, estórias alegóricas ou parábolas, para poder crescer e viver em harmonia e equilíbrio.

Nesse campo do conhecimento por imagens, símbolos e comparação, o único caminho parece ser o da experiência, da comparação lógica, e, portanto, do “conhecer a árvore pelos seus frutos”, cientes de que para nós o conhecimento sempre será algo análogo àquela frase com a qual a genialidade de Isaac Newton costumava apresentar seus estudos: na natureza tudo se passa como se (…).

Enquanto não tivermos atualizado, amadurecido ou desenvolvido essa faculdade de conhecimento intuitivo-unitivo em nós, não temos como conhecer a Verdade diretamente, por “fusão”, mas podemos reconhecer a verdade, pelo “experimentar dos frutos”, ou seja, pela observação das consequências, que são os “frutos” dos diferentes mapas ideacionais. Aquilo que nos der “bons frutos”, como a harmonia, a paz, “o estado intermediário entre o egoísmo humano e o altruísmo divino”, então esse será o mapa ideacional, a parábola para as “crianças”, a fábula, a alegoria que reflete, que está em harmonia com a Verdade.

Esse, portanto, é o caminho natural, equilibrado e seguro para a maioria da família humana, aquele que pode nos conduzir ao reconhecimento da verdade. Ou seja, ao conhecimento de que certos referenciais (ou “mapas”) ideacionais são derivados da Verdade, uma vez que desses “mapas” obtemos os “bons frutos”.

Então, nesse segundo caminho, pela comparação das grandes tradições e da ciência podemos chegar aos grandes princípios. Isso porque se em diferentes épocas, lugares e culturas os sábios, os filhos mais ilustres da família humana chegaram aos mesmos princípios, podemos aceitar esses grandes princípios, com a devida humildade, como grandes hipóteses, para serem testadas e estudadas em relação às consequências, aos seus frutos, se bons ou maus.

Assim, podemos e devemos comparar os frutos do “ser”, do “sim”, de possuirmos essa herança de uma faculdade latente de conhecimento intuitivo-unitivo, supra pensamental; com os frutos do “não ser”, do “não” termos essa faculdade latente, essa herança, essa semente divina em nós.

Tudo se torna simples, embora profundo: – se temos esse “sim” (esse “ser”) em nós, então, lógica e necessariamente deriva-se uma Filosofia Perene. Se “não” temos essa herança, se estamos condenados a esse “não” (esse “não ser”), essa negação de nossa herança divina, então não temos a possibilidade de uma Filosofia Perene, e estamos condenados ao ceticismo, ao não podermos conhecer a Verdade, nem mesmo os mais capacitados em termos intelectuais e éticos (“os poucos”). Nesse caso o “esotérico”, o caminho do silêncio (do aquietamento da mente), não nos conduz senão a um vazio, a uma falsa e ilusória esperança, a uma ignorância perene (em termos de verdades metafísicas profundas).

Resulta, no entanto, que podemos e devemos comparar, observar, experimentar, “saborear” os frutos de uma e da outra hipótese; do “ser” e do “não ser”, por assim dizer. Podemos e devemos observar que uma hipótese conduz à paz, ao equilíbrio, à esperança, à harmonia, à aceitação da fraternidade universal da humanidade como uma lei, ao “estado intermediário entre o egoísmo humano e o altruísmo divino”, e às soluções consistentes de nossos grandes problemas metafísicos, éticos e institucionais.

Igualmente, podemos e devemos observar os “frutos”, as consequências da outra hipótese, de não termos essa herança, essa semente divina em nós, de não termos, portanto, uma Filosofia Perene. E os frutos da negação dessa herança, conforme podemos observar, são a ignorância da superficialidade materialista, o desalento, a incapacidade de soluções consistentes para os grandes problemas mundiais, a ausência de um princípio ou lei que fundamente uma ética universal (em harmonia com o superficial e o profundo na natureza), a negação da fraternidade universal da humanidade, a negação do “tudo o que se eleva converge”. Isso pelo simples fato de negarmos a possibilidade dessa “elevação”, dessa faculdade de conhecimento (ainda que ela esteja presente apenas de forma latente, em “semente”, na maioria da família humana).

Essa é uma proposta realmente científica, a qual não está em desarmonia com a hipótese, com a possibilidade de uma faculdade intuitiva-unitiva de conhecimento e, portanto, consequentemente, com a hipótese, com a possibilidade da existência de uma Filosofia Perene.  Ou seja, com a possibilidade de chegarmos a um conjunto de princípios e leis verdadeiros, embora devendo ser testados como hipóteses científicas, em um mundo hoje dominado pelo cientificismo, para o bem e para o mal.

Como dissemos na Apresentação desse site, a Filosofia Perene tem sido apresentada ao mundo, na época contemporânea, através de diferentes escolas de pensamento, como as que poderíamos chamar, em sentido lato, de Teosofismo e, também em sentido amplo, a Escola Perenialista (ou Tradicionalista). O Teosofismo e a Escola Perenialista apresentam pontos de vista por vezes substancialmente diferentes, e não apenas isso, mas também essas correntes se subdividiram em algumas subcorrentes, as quais não raro não apenas diferem significativamente umas das outras, mas também criticam e conflitam umas com as outras.

Essas escolas de pensamento e suas subdivisões apresentam a Filosofia Perene da maneira que lhes parece pertinente. Nesse site não nos parece oportuno tentar criticar essas escolas, muito embora devamos dizer, pelo menos, que todas elas nos parecem conter acertos e falhas. Como acertos e falhas também serão encontrados na presente exposição da Filosofia Perene.

Aqui, como já foi dito, procuramos levar ao mundo os princípios fundamentais da Filosofia Perene, sobretudo, através da mensagem do “Novo” Evangelho da Interpretação. Mas nossos fundamentos ideacionais, conforme facilmente se constata pelas várias citações apresentadas, também estão apoiados (embora de maneira crítica, como podemos ver no livro “Teosofia e Fraternidade Universal”) em muitos escritos do Teosofismo, seja de Helena Blavatsky, seja de outros autores de maior ou menor elevação.

Finalmente, cumpre dizer que assim como não podemos discordar de muitos pontos defendidos pela Escola Perenialista de René Guénon e outros, também não podemos concordar com muitas de suas posições como, por exemplo (entre outros vários pontos) suas críticas em relação à senhora Helena Blavatsky e ao Teosofismo.

Quanto à crítica injusta e mal fundamentada do senhor René Guenón à senhora Helena Blavatsky, na qual ela é acusada de ser uma impostora, uma farsante, que inclusive teria forjado toda a literatura relacionada aos Seres Divinos que teriam inspirado a fundação da Sociedade Teosófica, respondemos que sua crítica está muito baseada numa investigação da SPR (Society for Psychical Research), conforme podemos ler em sua obra “Teosofismo: História de uma Pseudo Religião”. Em vista disso é oportuno anexar, logo abaixo, uma tradução do comunicado à imprensa da própria SPR (seguida do original em inglês), no qual aquela investigação e suas conclusões são seriamente questionadas.

Tendo apresentado esse panorama geral, na próxima seção desse site traremos exemplos de obras que podem servir como introduções à Filosofia Perene (ou Esotérica), bem como uma sintética apresentação de seus grandes princípios ou leis, e uma pequena coletânea de citações sobre a Filosofia Perene e sua importância.


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Comunicado à Imprensa da Sociedade para Pesquisas Psíquicas – 1986

A Sociedade para Pesquisas Psíquicas (SPR)
ESTABELECIDA em 1882
Tel. do escritório oficial: 01- 93789841
Rua Adam & Eve Mews
Kensington, Londres, W8 6UG

Texto da Notícia —– Não publicar antes de 8 Maio 1986

MADAME BLAVATSKY, CO-FUNDADORA DA SOCIEDADE TEOSÓFICA, FOI INJUSTAMENTE CONDENADA, CONCLUI NOVO ESTUDO

A “denúncia”, da cidadã russa madame H. P. Blavatsky pela SPR, em 1885, está seriamente questionada com a publicação no SPR Journal (volume 53, abril 1986) de uma crítica contundente ao relatório de 1885.

O caso foi reexaminado pelo Dr. Vernon Harrison, ex-Presidente da Sociedade Real de Fotografia e ex-Diretor de Pesquisas para Thomas De La Rue, que é um expert em fraudes. O relatório de 1885 foi escrito, principalmente, por Richard Hodgson, um australiano pioneiro da SPR, tanto na Inglaterra como nos Estados Unidos, que se tornou amplamente conhecido graças a esse caso.

De importância central para o caso foram dois conjuntos de cartas controversos. Um conjunto, providenciado por dois empregados demitidos da ST em sua sede na Índia. Estavam aparentemente na caligrafia da Madame Blavatsky e a envolviam em fenômenos psíquicos fraudulentos. O outro conjunto, estava escrito visivelmente em apoio à ST por membros de uma fraternidade oriental, popularmente chamados de Mahatmas. Dr. Hodgson aceitou como genuíno o primeiro conjunto. Ele argumentou que as Cartas dos Mahatmas eram produções espúrias forjadas por Madame Blavatsky e eventuais companheiros.

Dr. Harrison ao contrário, sugere que as cartas incriminantes é que eram forjadas, produzidas pelos ex-empregados por vingança; enquanto a pilha de Cartas dos Mahatmas, agora preservadas na Biblioteca Britânica, não estão na caligrafia de Madame Blavatsky, seja de forma disfarçada ou de qualquer outra maneira.

Dr. Harrison conclui;

“Na medida que o exame detalhado do Relatório continuou, tornei-me mais e mais cônscio de que, enquanto Hodgson estava preparado para usar qualquer evidência, não importa quão trivial ou questionável para implicar HPB, ele ignorou todas as evidências que poderiam ser usadas em favor dela. Seu relatório está crivado de afirmações tendenciosas, de conjecturas apresentadas como fatos ou prováveis fatos, de depoimentos não corroborados de testemunhas não nomeadas, de escolha de evidências e completas falsidades.

“Como investigador, Hodgson é pesadamente tendencioso e deixa muito a desejar. Sua acusação contra Madame Blavatsky não está provada.”

A maior parte do documento do Dr. Harrison é um exame da evidência da caligrafia apresentada no Relatório de 1885. Ele acredita que esse Relatório era tão fraco, tendencioso e confuso que ele poderia com a mesma facilidade mostrar que Madame Blavatsky escreveu “Huckleberry Finn” [“As Aventuras de Huckleberry Finn”, conhecida obra de Mark Twain] – ou que o Presidente Eisenhower escreveu as Cartas dos Mahatmas.

Numa nota introdutória ao estudo, o editor do SPR Journal, Dr. John Beloff, lembra que outros pesquisadores criticaram o relatório de 1885, e que ele foi erroneamente tomado como expressando a visão oficial da SPR, quando de fato a SPR não tinha opiniões a esse respeito. Observando que o Dr. Harrison não é um membro da Sociedade Teosófica, mas é um membro de longa data da SPR, o Dr. Beloff diz;

“Quer os leitores concordem ou discordem de suas conclusões, nós estamos contentes de lhe abrir espaço em nossas colunas e esperamos que, daqui para frente, os Teosofistas, e, de fato, todos que se preocupam com a reputação de Helena Petrovna Blavatsky, olharão para nós, sob uma luz mais benevolente.”

Respondendo à publicação do estudo do Dr. Harrison, Dr. Hugh Gray, Secretário-Geral da Sociedade Teosófica na Inglaterra, disse;

“Nós damos as boas vindas à publicação das descobertas do Dr. Harrisson, as quais de forma independente confirmam aquilo que muitos teosofistas mostraram ao longo do século passado. Nós esperamos que a mensagem teosófica em geral e o trabalho da Madame Blavatsky em particular, possam agora ser estudados sem a perturbação das alegações de Hodgson.”

Dr . Vernon Harrison, que vive em Surrey, estará disponível para entrevistas a partir de 6 de Maio. É favor contatar antes a SPR.

A Sociedade para Pesquisas Psíquicas, como observado acima, não tem quaisquer pontos de vista coletivos. Assim sendo não foi a SPR que condenou Madame Blavatsky em 1885, mas somente um Comitê da SPR, cujo relatório foi em sua maior parte escrito pelo Dr. Hodgson. Da mesma forma, o estudo do Dr. Harrison representa somente a suas visões pessoais.

Relações cordiais tem existido entre investigadores psíquicos e teosofistas na Inglaterra por algum tempo. Em 1982 a SPR escolheu como seu presidente, no ano de seu centenário, o Prof. Arthur Ellison, da City University, um distinto engenheiro, pesquisador psíquico e teosofista.

Madame Blavatsky fundou a Sociedade Teosófica juntamente com outros na cidade de New York em 1875, que é uma organização internacional ativa em mais de 60 países com sua sede em Adyar, Madras [Chennay], Índia. A Sociedade existe para promover um conhecimento de Teosofia, uma palavra de origem grega que significa Sabedoria Divina. A principal obra de Madame Blavatsky foi a “A Doutrina Secreta” (1888). Ela morreu em Londres em 1891 aos 59 anos de idade.

Para informações adicionais contate;

Sociedade para Pesquisas Psíquicas (SPR)
Tel.: 019378984
Sociedade Teosófica na Inglaterra
50 Gloucester Place, Londres W1H3HJ
Tel.: 019359261

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Press Release of Society for Psychical Research (SPR) – 1986


The Incorporated Society for Psychical Research
ESTABLISHED 1882
Registered Office Telephone: 01-937 8984 1
Adam & Eve Mews
Kensington, London, W8 6UG

News Release —– Not for publication before 8 May 1986

MADAME BLAVATSKY, CO-FOUNDER OF THE THEOSOPHICAL SOCIETY, WAS UNJUSTLY CONDEMNED, NEW STUDY CONCLUDES

The ‘exposure’ of the Russian-born occultist, Madame H. P. Blavatsky by the S.P.R. in 1885, is in serious doubt, with the publication in the S.P.R. Journal (Vol.53 April 1986) of a forceful critique of the 1885 report.

The case has been re-examined by Dr. Vernon Harrison, past president of The Royal Photographic Society and formerly Research Manager to Thomas De La Rue, who is an expert on forgery. The 1885 report was written mostly by Richard Hodgson, an Australian pioneer of both the British and American S.P.R.’s, who became widely known through the case.

Central to the case were two sets of disputed letters. One set, provided by two dismissed employees of The Theosophical Society at its headquarters in India, were apparently in the handwriting of Madame Blavatsky and implicated her in fraudulent psychic phenomena. The other set, were ostensibly written in support of The Theosophical Society by members of an oriental fraternity, popularly called Mahatmas. Dr. Hodgson accepted the genuineness of the first set. He argued that the Mahatma Letters were spurious productions by Madame Blavatsky and occasional confederates.

Dr. Harrison on the contrary, suggests that it is the incriminating letters that are forgeries, concocted by the ex-employees for revenge; while the bulk of the Mahatma Letters, now preserved in the British Library, are not in Madame Blavatsky’s handwriting. disguised or otherwise.

Dr. Harrison concludes;

“As detailed examination of this Report proceeds, one becomes more and more aware that, whereas Hodgson was prepared to use any evidence, however trivial or questionable, to implicate H.P.B., he ignored all evidence that could be used in her favour. His report is riddled with slanted statements, conjecture advanced as fact or probable fact, uncorroborated testimony of unnamed witnesses, selection of evidence and downright falsity.

“As an investigator, Hodgson is weighed in the balances and found wanting. His case against Madame H. P. Blavatsky is not proven.”

Much of Dr. Harrison’s paper is an examination of the handwriting evidence presented in the 1885 report. He believes this was so weak, partisan and confused that it might just as easily show that Madame Blavatsky wrote “Huckleberry Finn” – or that President Eisenhower wrote the Mahatma Letters.

In an introductory note to the paper, the Editor of the S.P. R., Dr. John Beloff, recalls that other researchers have criticised the 1885 report, and that it had wrongly been taken as expressing an official view of the S.P.R., when in fact the S.P.R. had no opinions. Noting that Dr. Harrison is not a member of The Theosophical Society, but a long-standing member of the S.P.R., Dr. Beloff says;

“Whether readers agree or disagree with his conclusions, we are pleased to offer him the hospitality of our columns and we hope that, hereafter, Theosophists, and, indeed, all who care for the reputation of Helena Petrovna Blavatsky, will look upon us in a more kindly light.”

Responding to the publication of Dr. Harrison 5 paper, Dr. Hugh Gray, General Secretary of The Theosophical Society in England, said;

“We welcome the publication of Dr. Harrison’s findings, which independently confirm what many Theosophists have pointed out in the past century. We hope that the Theosophical message in general, and Madame Blavatsky’s work in particular, can now be studied without the distraction of the Hodgson allegations.”

Dr. Vernon Harrison, who lives in Surrey, may be available for interviews from 6 May onwards. Please contact the S.P.R. in the first instance.

The Society for Psychical Research, as noted above, has no collective views. Thus it was not the S.P.R. which condemned Madame Blavatsky in 1885, but only an S.P.R. Committee, whose report was mostly written by Dr. Hodgson. Similarly, Dr. Harrison’s paper represents only his personal views.

Cordial relations have existed between psychical researchers and Theosophists in England for sometime. In 1982, the S.P.R. chose as its centenary president, Professor Arthur Ellison of The City University, a distinguished engineer, psychical researcher and Theosophist.

Madame Blavatsky founded The Theosophical Society with others in New York in 1875, and it is an international body active in more than 60 countries with its headquarters in Adyar, Madras, India. The Society exists to promote a knowledge of Theosophy, a word of Greek origin meaning Divine Wisdom. Madame Blavatsky’s main work was “The Secret Doctrine” (1888). She died in London in 1891 at the age of 59.

For further information contact;

The Society for Psychical Research
Tel. 0l 937 8984
The Theosophical Society in England
50 Gloucester Place, London W1H 3HJ
Tel. 01 935 9261