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XVI – A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO COMPARADO:

O Segundo Objetivo da Sociedade Teosófica

 

            176 – “Pois é somente através do estudo das várias grandes religiões e filosofias da humanidade e da comparação desapaixonada delas com uma mente sem preconceitos, que os homens podem esperar alcançar a verdade. E é especialmente descobrindo e percebendo seus vários pontos concordantes que podemos alcançar esse resultado.” (HPB, A Chave para a Teosofia, p. 63)

 

            Ao iniciarmos este capítulo recapitulemos rapidamente o terreno percorrido até esse ponto. Inicialmente procuramos evidenciar o papel determinante dos Mahatmas na fundação da ST, isto é, a influência de Sábios que, segundo os fundadores, atingiram um nível muito avançado no processo evolutivo e que, de forma permanente, para usar a imagem da “Escada de Ouro”, galgaram o Templo da Sabedoria Divina.

 

            Argumentamos, citando I.K. Taimni, que a Sabedoria Divina ou Teosofia é um estado de consciência que necessariamente abarca ao mesmo tempo a percepção da Verdade e o Amor impessoal ou Altruísmo, bem como a realização da Felicidade transcendente ou Ananda.

 

            Esse é um ponto chave para este texto porque argumentamos que, em vista disso, a denominação Sociedade “Teosófica” significa uma sociedade altruísta, ou seja, uma sociedade completamente devotada à promoção do bem-estar integral da humanidade. Esse ponto é tanto mais importante porque não raro, conforme vimos na citação de Jeanine Miller, a Teosofia é tomada como sinônimo de uma determinada reformulação da verdade, isto é, de uma dada doutrina. Quando isso acontece a ST imediatamente passa a ser vista como uma seita e, desse modo, criam-se enormes dificuldades à realização do seu primeiro e maior objetivo que é a constituição de um núcleo da fraternidade universal da humanidade, SEM DISTINÇÃO DE CREDOS, etc.

 

 

            Primeiro Objetivo Conferiria o Direito Moral de Ensinar

 

            Depois disso (em vista da enorme importância atribuída por esse texto à lei da fraternidade universal, que é a idéia mestra da ST, bem como ao seu primeiro objetivo), foram dedicados vários capítulos a uma tentativa de elucidar um pouco mais o significado e a relevância da lei da fraternidade universal da humanidade, do mesmo modo que a importância da criação de uma sociedade que pudesse oferecer ao mundo um exemplo concreto de “plano geral” e, inclusive, de estrutura organizacional alicerçada sobre as fundações seguras do princípio ou lei da fraternidade universal.

 

            Vimos em uma citação de Annie Besant que, em síntese, o trabalho central da ST é “viver e ensinar Fraternidade”. As duas palavras “viver” e “ensinar” são importantes, uma vez que ensinar sem viver muito facilmente se transforma em hipocrisia, e sempre obtém resultados muito menos eficazes.

 

            A realização do primeiro objetivo, desse modo, confere à ST o direito moral de pregar teoricamente o ensinamento da fraternidade universal da humanidade, pois a realização do primeiro objetivo implica em que antes de ser ensinada essa lei tenha sido exemplificada na prática. Esse ensinamento é decisivo, como vimos nos capítulos anteriores, para a compreensão ou a elaboração de um correto diagnóstico dos grandes problemas que desafiam a humanidade em nossa época, bem como para o encaminhamento de soluções consistentes aos mesmos. Essas parecem ser algumas das razões da clara orientação contida na passagem antes já citada que nos diz:

 

            177 – “Os Chefes querem uma “Fraternidade da Humanidade”, o início de uma real Fraternidade universal; uma instituição que se faça conhecida por todo o mundo e cative a atenção das mentes mais elevadas.” (K.H., ML, n. 6, p. 24)

 

            Com isso em mente, passemos agora a examinar os outros dois objetivos da ST, e como eles se relacionam com esse primeiro e magno objetivo. Neste e no próximo capítulo examinaremos cada um desses dois objetivos. Recordemos inicialmente que o segundo está formulado da seguinte maneira:

 

            “Encorajar o estudo de Religião Comparada, Filosofia e Ciência.”

 

            O segundo objetivo, como vemos, está centralmente relacionado com a busca da verdade por meio do estudo comparado, e o terceiro com a busca da Verdade interna (ou Teosofia), e não apenas em termos teóricos, mas também na prática, o que implica na realização dos poderes latentes no homem, sobretudo aqueles relacionados com a sua natureza espiritual mais profunda.

 

 

            Segundo Objetivo: Forma Apropriada para a Difusão

 

            Esse segundo objetivo nos sugere claramente a forma como podemos eficazmente ensinar ou levar ao mundo tanto o conhecimento decisivo do princípio ou lei da fraternidade universal, quanto outros princípios filosófico-religiosos verdadeiros básicos, os quais, de fato, também são importantíssimos, inclusive porque elucidam a lei que revela a humanidade como uma fraternidade universal, conforme vimos na citação de Annie Besant anteriormente apresentada, que parcialmente repetimos abaixo:

 

            178 – “Para compreender a Fraternidade, devemos lembrar que a evolução se realiza por meio da reencarnação e sob a lei do carma. (...) Na medida que as idéias da reencarnação e do carma conquistarem as mentes do mundo ocidental, que tem o hábito de aplicar princípios à prática, penso que a Fraternidade sob a lei da reencarnação e do carma resolverá muitos dos problemas sob os quais o mundo está padecendo, em nosso tempo.” (Os Ideais da Teosofia, p. 25)

 

            Cabe relembrarmos também da frase do Sr. Maha-Chohan onde se afirma que a humanidade não poderá evitar terríveis crueldades e atrocidades “senão por meio da influência suavizadora de uma fraternidade, e da aplicação das doutrinas esotéricas do Buda”.

 

            Vemos, portanto, a necessidade de junto com o ensinamento da fraternidade universal serem transmitidos conhecimentos básicos verdadeiros, quer em termos filosófico-religiosos, quer em termos científicos, que sejam coerentes e corroborem as doutrinas esotéricas.

 

            É especialmente importante que esses conhecimentos sejam apresentados de uma forma apropriada e já moldada para serem aplicados na prática de nossas vidas diárias e, a partir daí, nas principais instituições que organizam as sociedades como um todo. Esse aspecto de que o conhecimento deve ser apresentado de uma forma adequada é importante porque, como escreveu I.K. Taimni, a ST visa de um modo geral:

 

179 – “(...) mudar pensamentos e atitudes das pessoas no mundo, de modo que a humanidade esteja apta a dar o próximo passo na evolução (...) Qualquer pessoa que esteja em contato com os problemas urgentes que a humanidade enfrenta nos dias de hoje, pode ver logo, se os examinar profundamente, que a principal dificuldade na sua solução e no estabelecimento de melhores condições está nos hábitos errados de pensamento e nas atitudes pervertidas que prevalecem por toda a parte.” (Princípios do Trabalho Teosófico, p. 5)

 

            E a fim de que o conhecimento seja capaz de promover mudanças desse tipo ele deve se revestir de uma forma apropriada, pois como também explicou Taimni:

 

            180 – “Não basta que as idéias em nossa mente sejam de boa qualidade, também devemos estar seguros de que tenham uma forma apropriada – clara, precisa e classificada. Somente então podemos usá-las com facilidade e proveito. Idéias vagas e fatos não classificados, ainda que de grande valor, não podem ser usados em um pensamento de nível superior ou na solução dos problemas reais da vida.

            Essas idéias se assemelham a pedras preciosas ainda não lapidadas nem polidas que, embora de grande valor, não podem ser usadas na joalheria.” (Autocultura à Luz do Ocultismo, p. 111)

 

            Essa forma apropriada também implica, como dissemos, que o conhecimento seja relacionado com os problemas reais e, desse modo, seja moldado para ser aplicado praticamente na vida. Essa tarefa de adequação do conhecimento a fim de que possa ser aplicado praticamente é da maior importância, conforme fica claro pela ênfase a ela atribuída por um dos Adeptos na seguinte passagem:

 

            181 – “O problema da verdadeira Teosofia e sua grande missão é a elaboração de claras e inequívocas concepções de idéias éticas e de deveres, as quais possam mais e melhor satisfazer os sentimentos retos e altruísticos em nós; e a moldagem dessas concepções para a sua adaptação em tais formas de vida diária onde elas possam ser aplicadas com mais equidade. Tal é o trabalho comum em vista para todos os que desejem agir de acordo com esses princípios.” (LMW, 2nd Series, n. 82, p. 158)

 

            Mas que princípios básicos são esses, que devem ser moldados para serem aplicados na solução dos problemas éticos e concretos de nossa vida? Esses princípios já foram mencionados anteriormente, mas não custa repetir. São princípios como o da existência de uma lei de justiça absoluta (a lei do Carma), a qual mostra que o ser humano é quem cria de forma absoluta a sua própria glória ou miséria; como o da lei da Reencarnação, que nos revela uma vida muito maior do que uma única existência corporal, pois sem a noção de uma sucessão de encarnações a grande lei do Carma se torna ininteligível; ou ainda, do ensinamento a respeito das infinitas possibilidades de evolução espiritual do ser humano, que são a herança comum de toda a humanidade. Esses conhecimentos, finalmente, requerem o ensinamento de uma Paternidade comum ou de uma Unidade de Consciência Divina subjacente a todo o universo manifestado.

 

            Citemos uma passagem de HPB a esse respeito:

 

            182 – “Estudante: – Há outras causas, (...) que possam operar no sentido de reverter a presente tendência em direção ao materialismo?

            “Sábio: – Tão somente a difusão do conhecimento das leis do Carma e da Reencarnação e de uma crença na absoluta unidade espiritual de todos os seres é que evitará essa tendência.” (CW, vol. IX, p. 103)

 

            Em outra passagem HPB reitera a mesma idéia:

 

183 – “(...) se as doutrinas da Reencarnação e do Carma, em outras palavras, da Esperança e da Responsabilidade, encontrarem guarida nas vidas das novas gerações, então, de fato, raiará o dia da alegria e do contentamento para todos aqueles que agora sofrem e são excluídos.” (CW, vol. XI, p. 202)

 

 

            Método Comparativo: do Conhecido para o Desconhecido

 

            Tendo claro, portanto, que a meta geral visada pelo segundo objetivo é a difusão desses princípios básicos, tratemos agora de examinar porque a abordagem comparada referida neste objetivo nos revela a forma mais eficaz de levarmos ao mundo esses ensinamentos. Se levarmos em conta a realidade do atual nível evolutivo e do perfil da consciência da população que foram tratados anteriormente, perceberemos que a seguinte citação de I.K. Taimni, em sua obra Princípios do Trabalho Teosófico, sintetiza uma das principais razões porque a abordagem comparada é tão eficaz como método de difusão desses ensinamentos no mundo:

 

            184 – “O súbito impacto de um conjunto de idéias novas confunde o homem médio e faz com que ele se sinta repelido por tais idéias, ainda que elas sejam verdadeiras, razoáveis ou benéficas.” (Princípios de Trabalho Teosófico, p. 76)

 

            Logo adiante na mesma obra ele detalha um pouco mais a questão, e menciona um aspecto diretamente relacionado com a importância do estudo comparado que é o de ensinarmos partindo daquilo que é conhecido para as pessoas:

 

185 – “Há um grande número de pessoas (...) que podem ser levadas a apreciar as verdades da Sabedoria Antiga se as apresentarmos de maneira apropriada. Faz grande diferença em seu caso, como entramos em contato com suas mentes. Levar em consideração suas necessidades e levar suas mentes do conhecido para o desconhecido, são dois fatores na técnica da apresentação. Introduzir um elemento de atração para despertar seu interesse é um terceiro elemento importante na técnica.” (Princípios de Trabalho Teosófico, p. 77)

 

            Ou seja, essas passagens de Taimni resumem com precisão a necessidade de se partir do conhecido para o desconhecido, procedendo sempre de forma gradual, pouco a pouco, na transmissão de ensinamentos, sobretudo se forem novos ou conflitantes com conceitos existentes na mente daqueles que os recebem. E é isso exatamente o que a abordagem comparativa nos faculta. Ela minimiza o impacto súbito de idéias, conceitos ou de uma terminologia nova, uma vez que incorpora algo do que é familiar ao público em questão.

 

            Esse fator conhecido tanto poderá ser a religião a que as pessoas pertençam, quanto a corroboração por meio de informações científicas (em se tratando de um público mais intelectualizado), ou qualquer outro tipo de conhecimento com o qual as pessoas estejam familiarizadas. Em várias passagens nas cartas dos Mahatmas encontramos advertências a esse respeito, como na carta com a visão do Sr. Maha-Chohan:

 

            186 – “É absolutamente necessário inculcá-la gradualmente (a doutrina por Eles promulgada), reforçando suas teorias, fatos incontestáveis para os que sabem, com inferências diretas deduzidas e corroboradas pelas evidências fornecidas pela ciência exata moderna.” (LMW, 1st Series, n. 1, p. 2)

 

            Uma corroboração científica é geralmente sentida, pelas pessoas com formação intelectual de nossa época, como algo aceitável, algo que pertence ao domínio de um mundo que lhe é conhecido, ou no qual confia, uma vez que presume que seja um conhecimento que tenha sido de algum modo verificado experimentalmente e que seja logicamente inteligível.

 

            Grande parte da séria investigação que deve caracterizar o segundo e o terceiro objetivos da ST é de cunho científico comum e, assim sendo, o método comparativo é um instrumento da maior importância nesse processo de séria investigação em busca da verdade. Isto porque esse método também se constitui em um poderoso instrumento de investigação científica, com o qual muitas das pessoas que possuem formação superior estão familiarizadas. Contudo, uma vez que esse texto será lido principalmente por membros da ST, o fato que pretendemos destacar é a sua característica de adaptabilidade e portanto de eficácia como forma de transmitir conhecimentos, já que leva em consideração também aquilo que é conhecido pelas pessoas e trata de comparar esse conhecido com algo desconhecido. Esta necessidade de uma difusão adaptada também foi claramente mencionada em passagens das cartas dos Adeptos, a exemplo da que segue:

 

            187 – “O único objetivo pelo qual esforçar-nos é o melhoramento da condição do HOMEM por meio da difusão da verdade adaptada aos vários estágios de seu desenvolvimento e do país em que ele habita e pertence. A VERDADE não tem marca de propriedade e não sofre por causa do nome sob o qual ela é promulgada – desde que o referido objetivo seja alcançado.” (K.H., ML, n. 85, p. 399)

 

 

            Método Comparativo: Necessidade de Difusão Cautelosa

 

            Da mesma forma, encontramos nessas cartas várias passagens que enfaticamente chamam a atenção para o fato de que esta adaptação na difusão implica na necessidade de que estes conhecimentos verdadeiros sejam difundidos de forma cautelosa e gradual, conforme podemos ver a seguir:

 

            188 – “Não podemos consentir em inundar o mundo, com o risco de afogá-lo, com uma doutrina que deve ser cautelosamente difundida, e pouco a pouco, como um tônico muito poderoso que tanto pode matar quanto curar.” (K.H., ML, n. 34, p. 245)

 

            189 – “Como muitas pessoas, você nos culpa por nossa grande secretividade. Contudo nós conhecemos algo da natureza humana, pois a experiência de longos séculos – de fato, eras – nos ensinou. E nós sabemos que enquanto a ciência tiver alguma coisa que aprender, e uma sombra de dogmatismo religioso perdurar nos corações das multidões, os preconceitos do mundo têm que ser conquistados passo a passo, não de súbito.” (K.H., ML, n. 1, p. 3)

 

            Por essas razões também fica claro que esse objetivo da ST tem como meta geral levar ao mundo princípios ou conhecimentos básicos da Filosofia Perene e, mesmo esses, de uma forma adequada, por meio do método comparativo e adaptados para serem aplicados praticamente em nossas vidas diárias, bem como nas instituições sociais que organizam a vida de toda a sociedade, ou seja, como soluções consistentes para os problemas do mundo.

 

            O estudo comparativo pode e deve levar em conta não apenas as religiões, mas também as filosofias e as ciências, privilegiando sempre que possível o enfoque multidisciplinar e integrado. E a adaptação necessária deve levar em conta, como vimos em citação acima, tanto o nível de consciência dos indivíduos a serem atingidos, quanto as características sócio-culturais das diferentes regiões e países.

 

            É digno de nota, a esse respeito, que HPB escreveu em A Doutrina Secreta que:

 

            190 – “A Escola Neoplatônica de Alexandria, fundada por Amônio, é o paradigma proposto para a Sociedade Teosófica.” (vol. V, p. 294)

 

            De fato, essa se constitui em uma indicação valiosa acerca da importância do método comparativo proposto pelo segundo objetivo. Isto porque Amônio Saccas e seus discípulos eram chamados de “Analogistas”, e HPB em A Chave para a Teosofia nos diz que:

 

            191 – “Eles eram assim chamados por causa de sua prática de interpretar todas as lendas e narrativas, mitos e mistérios sagrados, por uma regra ou princípio de analogia e correspondência (...) O objetivo principal dos fundadores da Escola Eclética Teosófica (de Amônio) era um dos três objetivos de sua sucessora moderna, a Sociedade Teosófica, ou seja, reconciliar todas as religiões, seitas e nações sob um sistema de ética comum, baseado em verdades eternas.” (p. 16)

 

            Ainda em A Chave para a Teosofia, encontramos outra afirmação de HPB a respeito da importância ímpar da abordagem comparativa, ao lermos que:

 

            192 – “Pois é somente através do estudo das várias grandes religiões e filosofias da humanidade e da comparação desapaixonada delas com uma mente sem preconceitos, que os homens podem esperar alcançar a verdade. E é especialmente descobrindo e percebendo seus vários pontos concordantes que podemos alcançar esse resultado. Pois tão logo alcancemos – seja pelo estudo, ou ensinados por alguém que conheça – seu significado interno, descobrimos, quase que em todos os casos, que ele expressa alguma grande verdade da Natureza.” (p. 63)

 

            Portanto, o segundo objetivo da ST nos oferece, em resumo, o método que devemos seguir tanto para investigarmos quanto para transmitirmos ao mundo os princípios básicos anteriormente referidos. Como exemplo da eficácia desse método, cabe citar a obra de Fritjof Capra O Tao da Física, onde ele empregou essa abordagem comparativa – no caso, entre aspectos da física contemporânea e das religiões e filosofias do Oriente. Essa obra se converteu em um best-seller internacional, demonstrando como as pessoas estão aptas a aceitar conhecimentos novos com muito mais facilidade quando empregamos essa abordagem comparativa.

 

 

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